"As pedras devem continuar rolando..."Por Thiago Rahal Mauro
Formado por João Luiz (vocal), Fábio Cezar (baixo), Marcelo Ladwing (bateria) e Silvio Lopes (guitarra), o King Bird conversou com a Rádio Shock Box e em plena divulgação do novo álbum, "Sunshine", contou detalhes do disco, histórias sobre suas músicas, além de desabafar sobre a cena brasileira.
Rádio Shock Box: Vocês lançaram o novo álbum, "Sunshine", no ano passado. Como tem sido a reação do público brasileiro? Além do Brasil, quais países a resposta dos fãs e imprensa foi melhor para o disco?
Silvio Lopes: Por enquanto, temos divulgado mais o "Sunshine" em terras tupiniquins. Chegamos a receber alguns contatos de fora pelo site MySpace, mas ainda precisamos dar um gás na divulgação externa. E por aqui a reação tem sido a melhor possível! Sem medo de parecer arrogante, não encontramos alguém que não tenha gostado do nosso novo álbum ou que tenha a dizer algo contra. Claro que cada um tem suas preferências, mas no geral todos inclusive vêem uma evolução musical em relação ao "Jaywalker", que foi considerado um dos melhores álbuns de Rock em 2005.
Rádio Shock Box: Em seu site oficial o King Bird é qualificado como uma banda que busca as seguintes qualidades: competência, feeling, responsabilidade e profissionalismo. Sem dúvida, são adjetivos interessantes, mas que nem sempre são possíveis de se conseguir. Por que o King Bird se encaixa neles?
João Luiz: Achamos que essas qualidades, na verdade, deveriam ser o mínimo que uma banda séria teria que oferecer aos seus fãs. Mas o que leva o King Bird a batalhar por isso é o grande amor que temos por aquilo que fazemos. Sempre nos preocupamos em fazer a coisas com sinceridade, compomos nossas músicas com o coração, nunca nos preocupamos com tendências musicais, se o que fazemos está na moda ou não, simplesmente fazemos com a alma. E esse sentimento de sinceridade nós procuramos passar na emoção com que tocamos ao vivo, mas pra que isso aconteça somos exigentes com nossa postura, nossos equipamentos, enfim pra que as coisas funcionem é preciso manter o profissionalismo e uma coisa puxa a outra. E temos um grande orgulho, pois todos sempre respeitaram muito o King Bird, e isso é maravilhoso!
Rádio Shock Box: O vocalista João Luiz é conhecido pelos fãs como o "Dio brasileiro". Antes de o King Bird nascer o mesmo já se apresentava em bandas covers de Black Sabbath ou DIO solo, sendo sempre elogiado por sua voz e talentos inquestionáveis. Vocês tentaram tirá-lo desse estigma? Pergunto isso, pois muita gente deve associar o grupo ao DIO (não que isso seja ruim) e ao pensarem nisso acabam perdendo o que o grupo tem de melhor a oferecer...
João Luiz: Para mim sempre foi uma honra cantar as músicas do mestre Ronnie James Dio - é e sempre será uma grande escola. Mas quando gravei as vozes para o nosso primeiro álbum, "Jaywalker", fiquei um pouco preocupado, pois não queria que as pessoas ouvissem o King Bird e achassem que era algum tipo de imitação do Dio. Já no álbum "Sunshine", deixei isso um pouco de lado. Sempre adorei cantar Dio, mas nunca quis ser "ele" e sempre busquei minha identidade própria no trabalho com o King Bird. É claro que nossas influências sempre estarão presentes e vamos procurar aproveitar o melhor delas. As pessoas que achavam que tínhamos um som no mesmo estilo do Dio, após escutarem nosso trabalho perceberam que a banda tem uma proposta um pouco diferente. Muitas pessoas ficaram realmente surpresas, mas no final o legal foi que todas se tornaram fãs do Pássaro Rei!
Silvio Lopes: Como o João bem disse, sempre o deixamos à vontade pra que ele explorasse todas as influências que possui nas gravações. Mas o que todos já devem ter percebido é que existe um vocalista João Luiz com muita personalidade e uma identidade própria, tenho certeza que o álbum "Sunshine" não deixa dúvidas em relação a isso...
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Rádio Shock Box: Falando sobre influências, o grupo mescla dois estilos interessantes, o Classic e o Southern Rock. O Brasil está muito ligado ao Heavy Metal e ao Rock Clássico, mas nem sempre vemos bandas de Southern vindo ao país, tais como o Lynyrd Skynyrd, que nunca veio para cá. Vocês já pensaram em utilizar sua música pra divulgar ainda mais este estilo? Por que vocês acham que isso acontece? Será que é porque o Southern é bastante ligado à cultura americana...
Fábio César: Acho que o Southern Rock no Brasil não tem a mesma exposição na mídia como nos EUA. Esse deve ser um dos fatores que deixam o estilo meio escondido por aqui. Mas, mesmo não tendo essa grande exposição, tem muita gente em nosso país que é apaixonada por Lynyrd Skynyrd, Molly Hatchet, Blackfoot, Foghat, 38 Special, etc. E isso a gente já constatou nos nossos shows. Acho que está na hora dos promotores de shows daqui apostarem em trazer essas bandas para o Brasil.
Silvio Lopes: Sobre nossas influências em relação ao Classic e Southern Rock, elas são muito naturais e puramente musicais, a única bandeira que carregamos é a do Rock "universal", digamos assim. É fato que o Southern Rock tem uma ligação forte à cultura sulista dos EUA, mas nós não somos ligados a essa cultura, apenas curtimos o som mesmo. Talvez também as pessoas no Brasil tenham alguma resistência "gratuita" só por ser um estilo que nasceu nos EUA. Mas isso não nos afeta, até porque temos influências de um milhão de outras bandas também! (risos) Temos o AC/DC da Austrália, por exemplo, as grandes bandas inglesas como Led Zeppelin e Deep Purple e claro, bandas brasileiríssimas como o Golpe de Estado, Made in Brazil, Dr. Sin, O Som Nosso de Cada Dia, Tutti-Frutti, Patrulha do Espaco, e por aí vai... Enfim, como eu disse o Rock tem que ser encarado com uma música universal!
Rádio Shock Box: Vocês começaram, como King Bird, em 2002 e estão com dois álbuns lançados na praça, além de vários shows importantes no currículo. Agora em 2009, o que perceberam de diferente na cena brasileira? Melhorou ou piorou?
Fábio César: Infelizmente, devido a essa crise financeira as coisas deram uma esfriada, mas a cena não pára de crescer, constantemente vemos por aí novas bandas, novos lançamentos, e acho que deve ser assim "as pedras devem continuar rolando" (risos). O King Bird graças a Deus vem crescendo independente desses fatores econômicos, inclusive a primeira prensagem do CD "Sunshine" já está se esgotando! Iremos partir para mais uma prensagem em breve, então não temos do que reclamar. Além disso, participamos mesmo de muitos shows importantes, como o 'Roça'n'Roll 2008', o 'Rock In Concert 2006' ao lado do Uriah Heep e tocamos ao lado de vários nomes consagrados do cenário brasileiro, como Torture Squad, Cólera, Golpe de Estado, Krisiun, Made In Brazil, Salário Mínimo e por aí vai...
Rádio Shock Box: Muitas bandas, produtoras de eventos e algumas pessoas da imprensa têm reclamado demais da cena por aqui. Os fãs preferem acompanhar as bandas que vem de fora, pagando preços absurdos pelos ingressos, mas quando rolam alguns shows nacionais por no máximo 20 reais, eles acabam não indo. Fora isso, temos os famosos "netbangers" que ficam semeando discórdia entre os fãs e criando picuinhas e histórias no mínimo estranhas com as bandas. Qual a opinião do grupo sobre isso?
Silvio Lopes: Vou ser bem sincero. Existe um público brasileiro que curte e vive o Rock e esses caras são "impagáveis" no bom sentido, é claro... São pessoas que mesmo sem grana estão sempre apoiando as bandas nacionais, vão nos shows e festivais, compram CDs, camisetas e literalmente vestem a camisa! Alguns até estão ligados à indústria do entretenimento e procuram dar sua contribuição sempre que possível, abrindo as portas de suas casas de shows e até conseguindo um certo espaço na mídia pra gente. Mas "ah se todos fosse iguais a esses..." (risos), porque infelizmente como você disse tem aí uns "rockeiros de sofá", que só estão interessados em consumir o que é "gringo" e adoram meter o pau nas bandas nacionais - realmente criam intrigas e ficam nessa de "esse e aquele estilos são uma porcaria. Bom mesmo é o que eu escuto...". Será que essas pessoas esqueceram o como e o porque do Rock'n'Rol? Onde estão as ideias de paz, liberdade, respeito, e irmandade que moveram o mundo nos anos 60 e 70 e deram origem a todas as vertentes do Rock que temos hoje? Pois é, aí está um dos motivos porque a coisa vira em outros países, mas não aqui, pode não ser o único motivo, mas é um bem esquisito e que depende apenas de pessoas pra que a coisa comece a mudar...
Rádio Shock Box: Como foi ter Andreas Kisser no álbum "Sunshine"? Apesar dele ser conhecido como o guitarrista da banda Sepultura, seus projetos paralelos têm mudado o conceito de que músico de Heavy Metal ou de Rock se fixam em apenas um estilo o resto da vida. Vocês deram um direcionamento para ele, ou simplesmente deixaram-no à vontade para criar o que quiser.
João Luiz: Para todos nós foi uma grande honra ter o Andreas participando do álbum. O "alemão", como a gente costuma chamar, além de ser um grande músico tem uma bagagem impressionante. Foi uma experiência muito legal, pois ele chegou no estúdio sem a mínima idéia do que ia ouvir e com muita calma ouviu a música que ia gravar duas vezes, virou para o produtor e disse: "ok, vamos gravar". O resultado ficou impressionante, o cara é um grande músico e um grande brother!
Fábio César: Nós o deixamos realmente bem à vontade para gravar o que viesse na cabeça, e ele sacou fácil mesmo a harmonia da música e saiu solando em cima. Inclusive foram poucos takes para chegar na versão final, porque ele manda muito bem. Além de tudo isso, ele é uma grande pessoa, e reforço o que o João falou, para o King Bird foi um privilégio ter a participação dessa lenda do Rock brasileiro em nosso disco.
Rádio Shock Box: A banda nasceu no auge da Internet e da troca de arquivos e músicas gratuitamente. Qual a opinião do King Bird sobre a MP3, atrapalhou ou ajudou? Até que ponto é aceitável o fã ou qualquer pessoa baixar os discos de graça?
Silvio Lopes: Eu costumo dizer que trocar MP3 é o mesmo lance de quando era moleque e ia com uma dúzia de fitas K7 na casa de um brother pra gravar os discos que não tinha grana pra comprar (risos). Só que imagina isso em escala mundial, via internet, com banda larga e gigabytes de disco sobrando? (risos). Ou seja, não há como evitar foi um "mal necessário" causado por quem queria ganhar mais grana do que devia, não pelos artistas. A Internet é um meio poderoso pra divulgação da música e nós tentamos utilizar ao máximo os recursos disponíveis, mas não apoiamos a simples troca indiscriminada de arquivos porque é preciso também que os artistas envolvidos nas produções possam sobreviver e receber o que é seu por direito. É bacana baixar MP3 e DVDs de shows? Sim, não há nada de errado nisso, mas é mais bacana ainda ter os originais com a arte, encarte, etc... As pessoas precisam lembrar de um troço chamado "bom senso"... Afinal sempre que tinha grana eu comprava os discos e não só fitas K7 (risos).
Rádio Shock Box: Vocês gravaram o disco no Mr. Som em São Paulo. Os estúdios brasileiros estão à altura dos de fora? Vejo muitas bandas gravando álbuns por aqui, em vez de gastar uma fortuna e ir para a Alemanha ou outro país qualquer...
Silvio Lopes: Sim, graças ao preço do dólar que ficou até razoável nos últimos anos e também com o avanço da tecnologia, os estúdios brasileiros puderam investir e criaram condições de produzir álbuns com qualidade inquestionável. Com isso, os profissionais de áudio brasileiros também tiveram a oportunidade de evoluir. Você deve mesmo se questionar se vale à pena todo o custo e logística de gravar fora do Brasil hoje em dia, eu acredito que muitos fazem isso mais por "status" do que por falta de recursos e de profissionais competentes.
Rádio Shock Box: Com o advento da Internet, da MP3 e de outros formatos na música, a rádio acabou perdendo um pouco (não totalmente, pois ainda atinge milhares de pessoas) algumas pessoas criaram suas próprias rádios on-line, o que pensa a respeito? Acredita que a rádio on-line venha substituir a rádio convencional?
João Luiz: Nós achamos que todo meio de divulgação é bem-vindo! Não achamos que as rádios convencionais vão acabar, só achamos que elas vão ter que se adaptar aos novos tempos, como tudo na verdade. Ainda mais em relação ao meio musical que está sempre numa evolução contínua. Nós até já pensamos em fazer a nossa própria rádio on-line para divulgar nossas músicas e para mostrar ao público quais são as bandas que escutamos e que nos influenciam... Quem sabe...
Rádio Shock Box: Vocês leem resenhas de seus discos e shows? Se sim, qual sua opinião sobre o tema?
Silvio Lopes: Opa! "Com cerveja"! (risos) Estamos sempre ligados pra conhecer a opinião das pessoas sobre o nosso trabalho. E claro, apreciamos aquelas opiniões que mostram sinceridade e imparcialidade, porque no fim, por mais críticos que sejam os caras eles acabam colocando um pouco o gosto pessoal na jogada, mas até aí sem crise. Levamos em conta aquilo que parece ser construtivo, elogios são legais, mas não te ajudam tanto quanto críticas que façam sentido. Graças ao bom Alá tantos nossos álbuns quanto nossos shows têm recebido críticas bastante positivas!
Rádio Shock Box: A música "Here comes the Zeppelin" é uma das melhores do "Sunshine". Tendo como destaque os corais e sua levada interessante na guitarra. O nome da música se deve ao grupo Led Zeppelin (como influência) ou algo relacionado ao Zeppelin mesmo...
Silvio Lopes: Um pouco dos dois (risos). A ideia dessa música começou quando meu tio-avô - hoje com 88 anos e com mais saúde do que eu (risos) - me contou sobre a passagem do Zeppelin pela cidade de São Paulo na década de 30. Fiquei impressionado de ver como ele descreveu a importância daquele fato na infância dele e achei que seria legal contar isso numa música. Claro que a referência ao Led Zeppelin, como uma de nossas grandes influências, faz também parte do clima dessa música e causa essa dualidade de interpretação que desperta a curiosidade das pessoas. Obrigado por achá-la uma das melhores do álbum, pessoalmente essa faixa e a "Still Driftin'" são minhas preferidas.
Rádio Shock Box: Quais os planos para 2009? Algum DVD, shows pelo Brasil e Europa, novo álbum?
Silvio Lopes: O plano é tocar mais que em 2008! Queremos tocar em novos lugares pelo Brasil, locais onde ainda não tocamos. Tocar fora do Brasil é uma vontade que temos, mas por enquanto não temos nada previsto. E um dos objetivos pra 2009 e entrar em estúdio no final do ano pra gravar o próximo álbum! "Passarinho quer voar..." (risos).
Rádio Shock Box: Muito obrigado pela entrevista. Este espaço é seu, deixe um recado para os fãs e leitores da Rádio Schok Box.
Fabio César: Primeiramente, agradecemos a vocês da Rádio Shock Box pelo espaço e pela força ao cenário Rock no Brasil, e ao nosso público por tudo que o King Bird conquistou até agora. Sempre dizemos que não temos fãs e sim irmãos, tamanha é a força, energia e entusiasmo que eles passam para nós. Como dizia Glenn Hughes nos tempos de Trapeze: "Vocês são a música, nós somos apenas a banda". Deixamos aqui também o nosso website para quem quiser saber mais sobre a banda, nossa agenda, etc: http://www.kingbird.com.br e nosso e-mail para quem quiser agendar shows: shows@kingbird.com.br.
Sites relacionados:
http://www.kingbird.com.br
http://www.myspace.com/kingbirdband

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